Origem

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Escrito por  Publicado em: Polo

Falar ou escrever sobre a prática do jogo de Pólo, é sempre uma satisfação renovada, por se tratar de um esporte que reúne ao mesmo tempo, entre outras qualidades, vigor físico e alto espírito de cavalheirismo.

No entanto, para que se conheça e se entenda esse fantástico jogo tem que saber, inicialmente, suas origens, sua filosofia e algumas de suas histórias.

Para os tibetanos é Pulu;
Na Pérsia chamam Chaugan;
Da-Kyu como é conhecido no Japão;
Kán-jâi-bazéé para os manipuris, na Índia; e
Para o 10º Regimento de Hussardos na Inglaterra é simplesmente Hóquei a cavalo; e
Hoje mundialmente conhecido como Pólo.

Nas pesquisas que foram realizadas, o máximo que as investigações sobre suas origens chegaram foi a ano de 600 antes de Cristo.

Existe uma corrente que imagina tenha o Pólo surgido no Tibete, tratando-se, portanto, de um milenar costume de caçar o rato almiscarado, fato esse que ocorria algumas vezes no ano.

Os caçadores à cavalo portavam um bastão para matar o animal. Porém, durante o verão, como havia falta de ratos, era costume usar no lugar do rato uma bola recoberta com pele.
Consta que os persas teriam se apoderado do jogo, e o tenha desenvolvido e introduzido no Egito, Grécia e Norte da Índia. Os campos de pólo ou "maidan", como chamavam os Persas, tinham 500 metros de extensão, as traves do gol eram pedras e as bolas usadas eram esferas de osso.
Outra fonte sobre a origem do Pólo relata que os cavaleiros da China e da Ásia Central, séculos antes de Cristo, dedicavam-se a um Pólo bem rudimentar, e era praticado como passatempo pelos nobres sendo, portanto, jogado pelos sultões, xás, imperadores e califas.
Imaginava-se, naqueles tempos, que um homem teria que ser um bravo guerreiro, um caçador habilidoso e um jogador de Pólo capaz de grandes proezas.

Sabe-se que Alexandre, o Grande, quando ainda muito jovem no seu caminho rumo a Pérsia, teria recebido, de Dário III, uma bola, um bastão, com o seguinte conselho:

“Meu jovem, vá jogar e deixe a guerra para adultos”.

Diante desse fato Alexandre respondeu:

“Senhor, eu sou o bastão e a bola é o mundo que irei dominar”.

Logo em seguida Alexandre derrotou Dário e conquistou a Pérsia. Muitos estudiosos veem nesta metáfora um dos supremos significados do jogo.

O poeta persa Firdusi descreveu assim uma partida, na sua obra clássica intitulada Shanamá (O Livro dos Reis, considerado a Ilíada persa):

“O ar obscurecido pela poeira. A sensação era de um terremoto, tal o barulho dos jogadores, cavalos, trombetas e címbalos”.

Está registrado que dois jogadores persas foram cantados em versos e prosas nas lendas antigas.

“Siavasch tinha uma tacada que podia lançar a bola à lua”.

“Gushtasp tinha tamanha habilidade com o taco que obtinha qualquer efeito, fazendo a bola desaparecer entre nuvens”.

Verifica-se nessas frases tratar-se de uma verdadeira licença poética.

No século IX, o historiador Dinvari citava algumas regras que existiam e são válidas até os dias de hoje, durante o jogo deve-se:

- evitar palavrões e insultos; e
- cultuar a necessidade de ser paciente.

Afirmava ainda, que quebrar o taco durante o jogo era uma demonstração de ineficiência.

Omar Khayan cita o Pólo num dos mais belos de seus poemas da antiguidade, o Rubaiyat.

Outro poeta, Nizami conseguiu uma definição que representa o suprassumo da filosofia do jogo:

”O horizonte é o limite do teu campo de Pólo, a terra é a bola que rola na ponta do teu taco. E até que desapareças da vida feito pó, galopa e acossa teu cavalo, porque o terreno é todo teu”.

O jogo antigo era bastante diferente do reconhecido pelos modernos, pois era “uma batalha em miniatura, envolvendo muitas vezes até 200 jogadores”.

O rei indiano Qutub-ub-din-Alibabi, no século XIII, morreu atravessado pelo chifre que adornava a sela de seu cavalo, numa queda do animal durante o jogo.

Tamerlão costumava jogar com a cabeça dos inimigos. Como em tudo que envolve o ser humano, esse lado trágico exerce grande fascínio.

Todavia, o Pólo tem suas imagens grandiosas e poéticas, como por exemplo, a fundação da cidade de Isfahan, na Pérsia, hoje Irã, toda construída em torno de campo de Pólo que acabou sendo a praça central.

Na China, o jogo teve tanta importância, que um taco foi acrescentado ao brasão da dinastia Tsang.

Da China, o Pólo passou ao Japão, onde é conhecido como Da-Kyu (bater na bola).

Nas Côrtes islâmicas, foi criado um cargo importante, segundo citação de John Hoyd: o jukandar ou Pólo master, posição proeminente e respeitabilíssima, que era ocupada por um polista.

Chukker. A palavra representa internacionalmente o tempo de jogo. Primeiro Chukker, primeiro tempo. A origem é hindi, uma língua derivada do sânscrito, que significa círculo, volta. A palavra Chukker faz ligação do Pólo moderno com o milenar.

Na Índia, o Pólo é introduzido no século XVIII, e conforme relatos, talvez seja o registro da forma mais próxima da moderna de se jogar.

Foi na Índia que houve a evolução do jogo, deixando de ser privilégio da altíssima classe, adotando uma forma mais democrática.

Podemos considerar a Índia como ponto chave para a ocidentalização, pois dali o Pólo irradiou-se para Inglaterra e o resto do mundo.

Os ingleses na colonização da Índia, no século XIX, exploravam seus vastos campos, no vale Cachar, com plantações de chá. Porém, aprenderam muitas coisas com os colonizados, e uma delas foi jogar o Pólo.

O introdutor do Pólo no Ocidente foi o tenente, do exército inglês quando em Bengali, de nome Joseph Sherer, que em 1854 ficou atraído ao jogar Pulu com os manipuris. Reuniu mais sete colonizadores e se formou o primeiro clube de Pólo formado por Europeus, o Silchar.

Com isso o jogo se expandiu pela Índia, e onde havia um inglês, jogava-se Pólo.
Em 1859 foi criado o 1º Clube de Polo em Assam, na Índia, The Retreat at Silchar, formado pelo capitão Robert Stewart, conhecido como o pai do polo moderno.

O primeiro jogo de polo no Reino Unido foi em 1869, jogado por oficiais e foi chamado de “Hockey a cavalo”. Aos poucos o polo foi ficando mais popular e ganhou caráter mundial, principalmente na Argentina, onde se produzem ótimos cavalos para o jogo.

Em 1870 o polo estava sendo muito praticado na Índia Britânica, em pequenos pôneis que não mediam mais do que 1,27m de altura.

Na Inglaterra a notícia não demorou a chegar, e logo os oficiais britânicos começaram a praticá-lo, apelidando-o de Hóquei a cavalo. Em 1873 ocorreu a primeira partida oficial na Inglaterra, inaugurando o primeiro clube de pólo chamado Hurlingham. Foi neste clube que se' estabeleceu o Regulamento Mundial de Pólo.

Na mesma época os americanos também se apaixonam pelo jogo. Depois foi a vez do Hurlingham Argentino, onde o Pólo conquistou muitos adeptos devido às condições topográficas e climáticas para a prática do jogo.

Em 1886, Inglaterra e Estados Unidos se enfrentaram pela primeira vez, no Troféu Westchester Club.

Daí para o mundo inteiro foi rápido.

O polo esteve presente em cinco Jogos Olímpicos: 1900, 1908, 1920, 1924 e 1936. Nos Jogos Olímpicos de París, em 1924, e de Berlim, em 1936, a medalha de ouro foi alcançada pela seleção da Argentina.

O primeiro Campeonato Mundial de Polo foi realizado em 1987.

Atualmente o polo é praticado em mais de 50 países, tais como Argentina, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Chile, Austrália, entre outros.

NO BRASIL

No Brasil o Pólo chega na década de 20, quando Ingleses foram enviados para construção de ferrovias. Ingleses, Argentinos, fazendeiros e militares foram responsáveis pela expansão do Pólo nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

No princípio os campos eram improvisados, pastos, campos de futebol e até campos de aviação foram usados para prática. Nossa grande vantagem competitiva era a qualidade de nossos cavalos, que devido ao costume da prática da caça e do trabalho rural, já eram atleticamente aptos à prática do esporte.

No Brasil há muito centros de pólo, e cada um, tem uma história para contar sobre sua origem.

Em São Paulo, devido a estrada de ferro Santos-Jundiaí, os ingleses trouxeram o Pólo para a capital. Os pioneiros jogavam em campos improvisados até que criaram um campo no bairro da Água Branca. Logo depois nasceria a Hípica Paulista, de início na Aclimação, passando para Pinheiros e instalando-se definitivamente no Brooklin.

Em 28 de novembro de 1963, foi fundada a Federação Paulista de Polo. Com a organização do polo no país, o Brasil conseguia um feito na Copa Vargas, em Buenos Aires, sobre os argentinos forçando uma terceira partida. Algo inédito na época.

No interior de São Paulo, a pioneira família Junqueira também já tinha contato com o jogo, e logo formaram clubes como a Hípica de Orlândia e Colina. No Rio de Janeiro incentivado pelos militares o Pólo também prosperou. No Rio Grande do Sul, a proximidade com a Argentina ajudou a paixão pelo jogo prosperar em terras gaúchas.

Sir Willian Prytman se destacou como principal figura do desenvolvimento do polo na cidade do Rio de Janeiro. Tanto que o primeiro campo de polo civil foi criado na Gávea Polo Club.

No Rio Grande do Sul, o polo foi trazido através dos “Hermanos” uruguaios e argentinos, além da preponderância do polo militar. O exército se destacou no polo sendo campeão estadual e nacional.

O Pólo não parou de crescer, e os clubes de pólo, cada dia em maior número pelo Brasil, foram conquistando apaixonados pelo jogo. Para compreender o rápido avanço do Pólo, já no final da década de 40 se jogava o chamado Campeonato Estadual de Polo, hoje Aberto do Estado de São Paulo.

Haviam torcidas organizadas, muita assistência (que por falta de arquibancadas em alguns campos, sentavam-se no teto dos carros), muita rivalidade e festa entre os times, principalmente se a disputa fosse entre capital e interior de São Paulo. Em algumas cidades o Pólo chegou a fazer mais sucesso do que o futebol, como em Orlândia/SP.

Em 28 de novembro de 1963, foi fundada a Federação Paulista de Polo. Com a organização do polo no país, o Brasil conseguia um feito na Copa Vargas, em Buenos Aires, sobre os argentinos forçando uma terceira partida. Algo inédito na época.

O Brasil passou a ser reconhecido mundialmente no final da década de 1960, quando as equipes de Rio Pardo, Toca e Sapezal, conseguiram, respectivamente, as conquistas da Copa Vargas, Alessandri e Mundialito de Polo. Graças a estes feitos, jogadores brasileiros foram convidados para atuar em outros países.

Um dos jogadores que obteve maior êxito fora do Brasil foi Silvio Junqueira Novaes, que além de atuar por várias temporadas na Inglaterra e ter feito oito gols de handicap, viu sua égua Elke ser premiada como melhor animal da temporada inglesa.

Após a fundação da Federação Internacional de Polo, começou a ser disputado o Campeonato Mundial de Polo. O Brasil sagrou-se três vezes campeão e uma vez vice.

Outro fato curioso do esporte ocorreu na visita do príncipe Charles ao Brasil, em 1978. O herdeiro da coroa inglesa e grande entusiasta do esporte disputou alguns jogos em equipes civis e militares, em partidas em São Paulo e Brasília.

Atualmente o Brasil detém três títulos mundiais.

 

 

 

País

Campeão

2º lugar

3º lugar

 Argentina

4

1

2

Brasil

3

3

1

Chile

1

1

1

Estados Unidos

1

0

0

Inglaterra

0

2

2

México

0

1

2

Austrália

0

1

0

Itália

0

0

1

Ler 1021 vezes Última modificação em Terça, 03 Dezembro 2019 16:34

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